3ª Reunião da CPI da Saúde, em 13/03/2026.
CPI da Saúde em São Francisco do Guaporé revela detalhes de esquema de desvio de R$ 13 milhões e "maquiagem" de extratos bancários
SÃO FRANCISCO DO GUAPORÉ – A terceira sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), realizada em 13 de março de 2026, trouxe novos elementos sobre a investigação de desvios financeiros na Secretaria Municipal de Saúde. O montante desviado, inicialmente estimado em valores menores, chegou à cifra de R$ 13 milhões, conforme revelado em depoimentos de testemunhas e documentos da tesouraria.
Ausência do investigado e polêmica jurídica
O principal investigado, o servidor Adriano Ferreira de Oliveira, não compareceu à oitiva. Seu advogado, Dr. Marcelo Cantarela, argumentou que não havia nos autos a comprovação de que o servidor tenha sido pessoalmente notificado, justificando assim sua ausência. O não comparecimento gerou indignação entre os vereadores; o vereador Braz chegou a sugerir o uso de força policial para garantir o depoimento.
Além da ausência, a atuação do Dr. Cantarela foi questionada pelo vereador Jeferson, que protocolou um pedido de afastamento do advogado da defesa de Adriano. O questionamento baseia-se no fato de o advogado ter sido Procurador-Geral do município entre janeiro e julho de 2025, período que coincide com o início dos supostos desvios.
O "Modus Operandi": Maquiagem de extratos e uso indevido de senhas
A Secretária Municipal de Finanças, Elisângela Cristina Teixeira Piancó, detalhou como o esquema operava. Segundo ela, Adriano era o responsável pelas "chaves J" (dispositivos de segurança bancária) do Fundo Municipal de Saúde desde 2022. Ele aproveitava momentos de ausência de outros colegas para acessar computadores alheios e autorizar cadastros de favorecidos.
Para esconder as transferências feitas para seu próprio CPF, o servidor utilizava uma estratégia de "maquiagem" de extratos. Ele imprimia documentos alterados, substituindo seu nome pelo de empresas fornecedoras da prefeitura, o que impedia que a contabilidade percebesse as divergências durante as conciliações mensais. O rombo só foi descoberto pelo contador municipal, Marcos, durante o fechamento do balanço anual de 2025, ao confrontar os dados do sistema bancário real com os documentos entregues pela tesouraria.
Secretária de Saúde alega "excesso de confiança"
Em seu depoimento, a Secretária de Saúde, Maria José de Oliveira, abriu mão de seus sigilos bancário e telefônico para provar sua inocência. Ela afirmou que Adriano era visto como um servidor extremamente competente e de confiança, herdado da gestão anterior. "Reconheço que posso ter confiado em pessoas que não corresponderam, mas jamais participei de qualquer prática ilícita", declarou a secretária.
A secretária confirmou que o desvio afetou recursos destinados à farmácia básica e à compra de ambulâncias. Para evitar a interrupção dos serviços essenciais, o município está utilizando recursos próprios para cobrir os buracos financeiros deixados pelo esquema.
Próximos Passos
A CPI planeja agora convocar novos depoentes, incluindo a contadora do Fundo de Saúde, Érica, e a servidora Flávia, cujo computador teria sido utilizado para as transações. O presidente da comissão, Osias, encerrou a sessão reiterando o compromisso de trazer respostas à sociedade e buscar a recuperação dos fundos desviados.