6ª Reunião da CPI da Saúde, em 20/03/2026.
Câmara Municipal investiga supostos desvios em contas da Secretaria de Saúde em São Francisco do Guaporé
Sessão da CPI ouve servidoras sobre procedimentos contábeis e a forma como extratos bancários teriam sido falsificados para ocultar transferências indevidas.
A Câmara Municipal de São Francisco do Guaporé realizou, no dia 20 de março de 2026, a sexta sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga supostas irregularidades financeiras cometidas pelo servidor Adriano Ferreira de Oliveira. O foco da investigação recai sobre indícios de que o servidor, lotado na tesouraria da Secretaria Municipal de Saúde, teria realizado transferências indevidas de recursos públicos para suas contas pessoais.
Depoimentos revelam métodos de falsificação e uso de computadores
Durante a sessão, a contadora dos fundos municipais, Érica Mendes Araújo, explicou que a conferência de saldos era feita com base em extratos bancários físicos entregues pelo tesoureiro. Segundo a depoente, os documentos apresentados por Adriano pareciam autênticos, contendo cabeçalhos, rodapés e horários de login oficiais, o que tornava a falsificação imperceptível no dia a dia. A fraude só teria sido descoberta pelo contador geral, Marcos, durante o fechamento anual consolidado, ao detectar uma divergência inicial de aproximadamente R$ 220 mil que não constava nos extratos "maquiados".
Outro ponto central da audiência foi o compartilhamento de máquinas entre os servidores. Flávia Quintão de Faria, assessora de contabilidade, confirmou que Adriano utilizou seu computador para realizar o cadastro de favorecidos. Ela explicou que o procedimento de cadastrar uma conta exigia a validação em duas máquinas diferentes e, devido à relação de confiança na equipe, não estranhou quando soube que o colega utilizava seu terminal em momentos de sua ausência, como durante intervalos para café.
Controle orçamentário e impacto nos recursos da Saúde
A assessora Dayane Novais Gonçalves, responsável pelo departamento de orçamento, afirmou que o sistema de gestão (SECAN) não falhou, mas registrou as informações conforme foram alimentadas pelos usuários. Ela sugeriu que ferramentas de edição de documentos online podem ter sido utilizadas para alterar os extratos bancários antes de serem entregues à contabilidade.
Questionada sobre o impacto nos projetos da pasta, Dayane relatou que, embora fizesse o controle dos saldos, o desvio mais evidente que acompanhou foi relacionado a recursos para a aquisição de ambulâncias. Houve ainda discussões entre os vereadores sobre a demora na execução de emendas parlamentares, com o questionamento se a permanência prolongada de dinheiro nas contas teria facilitado as movimentações indevidas.
Próximos passos da investigação
A presidência da CPI reiterou que as oitivas visam reunir provas e documentos para compor um relatório final que será encaminhado ao Ministério Público. O relator da comissão, vereador Elias Dutinim, tem um prazo total de 120 dias para conduzir as apurações, analisar as provas e elaborar o parecer conclusivo, indicando a existência ou não de crimes e infrações administrativas. Novas testemunhas devem ser ouvidas nas próximas sessões para dar continuidade ao processo de esclarecimento dos fatos.