7ª Reunião da CPI da Saúde, em 08/04/2026.
CPI da Saúde Ouve Contador e Gerente do Banco do Brasil sobre Desvios de R$ 13 Milhões
A Câmara Municipal de São Francisco do Guaporé realizou, no dia 8 de abril de 2026, a sétima sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, que investiga o desvio de aproximadamente R$ 13.720.000,00 da Secretaria Municipal de Saúde. A oitiva contou com os depoimentos de Marcos Pacheco, contador geral da prefeitura, e Laert Croves de Souza Júnior, gerente de relacionamento do Banco do Brasil.
Descoberta por Divergência Contábil
Em seu depoimento, o contador Marcos Pacheco explicou que as irregularidades começaram a ser identificadas durante a preparação do balanço geral do município, entre janeiro e fevereiro de 2026. A fraude foi detectada devido a estornos de "suprimentos financeiros" que não batiam com os repasses efetuados pelo município ao fundo de saúde.
Segundo Pacheco, o servidor investigado, Adriano Ferreira de Oliveira, inicialmente realizava estornos contábeis para tentar encobrir as retiradas. Posteriormente, o método evoluiu para a manipulação de extratos bancários físicos, que eram entregues à contabilidade com saldos falsos para coincidir com os registros do sistema. O contador afirmou que, sem o erro do servidor ao realizar um estorno específico, a identificação do crime teria sido muito mais difícil. Após a confirmação dos desvios, a Polícia Civil foi acionada e um levantamento detalhado foi feito durante um final de semana para embasar a denúncia.
Segurança Bancária e a "Chave J"
O gerente do Banco do Brasil, Laert Croves, foi questionado pelos vereadores sobre a falta de alertas do banco diante de transferências vultuosas para a conta pessoal de um servidor. Croves explicou que o banco opera por meio da "Chave J", uma senha pessoal e intransferível delegada pelo gestor municipal a responsáveis pela movimentação das contas.
De acordo com o gerente, para o sistema do banco, as transações eram consideradas "normais" porque eram realizadas e confirmadas por chaves autorizadas pelo próprio ente público. Ele ressaltou que o banco não atua como fiscal de pagamentos e que os limites e beneficiários são estabelecidos pelo município. A afirmação gerou indignação entre os membros da CPI, que citaram casos de transferências que somaram quase R$ 1 milhão em um único mês para o CPF do investigado sem que o sistema de segurança bloqueasse a operação.
Obstáculos Jurídicos e Habeas Corpus
A sessão também foi marcada pela leitura de decisões judiciais que limitaram o alcance das investigações nesta fase. O advogado Marcelo Cantarela, ex-procurador do município, obteve um Habeas Corpus para não ser ouvido pela comissão, alegando sigilo profissional por ser o atual defensor do investigado Adriano.
Da mesma forma, o próprio Adriano Ferreira de Oliveira obteve liminar garantindo-lhe o direito ao silêncio e a não sofrer conduções coercitivas. Alguns vereadores, como Jeferson e Emerson Borgo, expressaram frustração, sugerindo que as decisões judiciais poderiam esvaziar o papel fiscalizador da CPI.
Próximos Passos
O presidente da CPI, vereador Osias Alves, reafirmou o compromisso de levar a investigação até o fim. A comissão agora buscará, por via judicial, o compartilhamento de provas e depoimentos colhidos no inquérito policial para contornar o silêncio dos investigados perante a Câmara e finalizar o relatório final.
Esta matéria reflete os fatos narrados na oitiva da CPI realizada no dia 08/04/2026.